Muitos são os motivos
que fizeram com que eu ficasse tanto tempo sem escrever. Mas com certeza o
maior de todos foi à falta de motivação. Estava tudo cinza para mim, e quanto
tudo está cinza não parece que há muito que dizer. Mas ontem a já tão comentada
morte de Oscar Niemeyer levou-me a rever algumas coisas.
Ele foi um homem que
nasceu em 1907. Sabe o que é isso? 1907? Quantas mudanças esse homem não viu? E
embora tenha visto tanto não era saudosista, era moderno e sempre disposto a
planejar. Sim ele com mais de cem anos e ainda tinha projetos. Também foi um
homem que viveu 75 anos com uma mesma mulher e ficou viúvo, mas que aos 99 anos
decidiu que ainda era tempo de se casar, de ser feliz. Um homem generoso, não da boca para fora, mas
em ações.
Sou de Brasília e amo
morar aqui, o meu gosto por arquitetura e arte moderna e contemporânea aprendi
olhando as curvas da cidade. Mas o cotidiano nos faz deixar passar a beleza. Mas que cotidiano é esse que sufoca? Será que
eu não posso evitar?
Niemeyer estava com 104
anos e ainda queria viver. Cem anos para ele foi pouco. Isso nos dá o que
pensar. A vida é rápida. Assim o modo que vivemos esse pouco tempo é que
importa. Para que se incomodar com coisas que não estão no nosso poder mudar? É
pura matemática: eu só tenho um problema que pode ser resolvido. Se não há
solução não é problema é uma situação, um fato, então por que permitir que essa
situação mude a vida a ponto de não contemplar o que merece ser apreciado?
Grandes exemplos
existem para que possam ser admirados e copiados. Então mesmo quando os dias
estiverem cinzas, ainda há razão para escrever, ainda há o que dizer, já que
ainda é possível respirar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário