quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Ainda há razão para escrever.


Muitos são os motivos que fizeram com que eu ficasse tanto tempo sem escrever. Mas com certeza o maior de todos foi à falta de motivação. Estava tudo cinza para mim, e quanto tudo está cinza não parece que há muito que dizer. Mas ontem a já tão comentada morte de Oscar Niemeyer levou-me a rever algumas coisas.

Ele foi um homem que nasceu em 1907. Sabe o que é isso? 1907? Quantas mudanças esse homem não viu? E embora tenha visto tanto não era saudosista, era moderno e sempre disposto a planejar. Sim ele com mais de cem anos e ainda tinha projetos. Também foi um homem que viveu 75 anos com uma mesma mulher e ficou viúvo, mas que aos 99 anos decidiu que ainda era tempo de se casar, de ser feliz.  Um homem generoso, não da boca para fora, mas em ações.

Sou de Brasília e amo morar aqui, o meu gosto por arquitetura e arte moderna e contemporânea aprendi olhando as curvas da cidade. Mas o cotidiano nos faz deixar passar a beleza.  Mas que cotidiano é esse que sufoca? Será que eu não posso evitar?

Niemeyer estava com 104 anos e ainda queria viver. Cem anos para ele foi pouco. Isso nos dá o que pensar. A vida é rápida. Assim o modo que vivemos esse pouco tempo é que importa. Para que se incomodar com coisas que não estão no nosso poder mudar? É pura matemática: eu só tenho um problema que pode ser resolvido. Se não há solução não é problema é uma situação, um fato, então por que permitir que essa situação mude a vida a ponto de não contemplar o que merece ser apreciado?

Grandes exemplos existem para que possam ser admirados e copiados. Então mesmo quando os dias estiverem cinzas, ainda há razão para escrever, ainda há o que dizer, já que ainda é possível respirar.

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