08/10/2010
Eu não sou da cor de papel de pão!
Há
algumas semanas tenho tido o desejo de escrever no blog. É a primeira
vez que isso acontece, pois afinal, eu sempre pensei, quem vai se
interessar por algo que eu escreva? Mas não tem como não falar sobre o
que me aconteceu:
Como
toda brasileira, estava ansiosa para o IBGE passar em minha casa, pois
eu queria fazer parte do censo. Pois bem, a cerca de um mês a
recenseadora passou aqui em casa e fez várias perguntas, as quais eu
respondi com prazer. No dia seguinte, num sábado, fui à casa de umas
amigas e comentei o que havia acontecido. Elas me perguntaram quais as
perguntas que eles faziam. Mencionei várias, até que falamos sobre a
pergunta da cor que você se declara, no meu caso, negra. Pois foi nessa
hora que minha amiga disse: “Negra? Mas você não é negra, você é parda”.
Como assim parda?
Depois desse comentário, observei que várias pessoas que conheço, embora negras, se declararam como pardas para o censo. Foi ai que eu pensei o que é uma pessoa parda?
Quando cheguei em casa olhei a minha certidão de nascimento, que não fala nada a
respeito de cor, mas a do meu pai fala que ele é pardo. Sim antigamente
as certidões declaravam a cor da pessoa. Eu não acho nada demais, o que
acho estranho é uma pessoa ser parda. Pardo para mim é um papel,
envelope, embalagem de pão, etc. Por que as pessoas têm tanta
resistência em assumir que são negras? É ruim ser negro?
Lembrei
de um comentário interessante que ouvi uma senhora falar a uma colega
minha certa vez: “Não fala assim você não é negra, é morena”. Como se
ser negra fosse depreciativo. Como diz outra colega minha: “Morena? Não
economiza tinta não. Eu sou negra mesmo.”
Fiquei
bastante incomodada com essa situação. Eu sou negra, não acho que deva
ficar triste ou constrangida por isso. Eu tenho uma raça. Não sou da cor
de papel de pão.
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