sábado, 13 de outubro de 2012

08/10/2010

Eu não sou da cor de papel de pão!

Há algumas semanas tenho tido o desejo de escrever no blog. É a primeira vez que isso acontece, pois afinal, eu sempre pensei, quem vai se interessar por algo que eu escreva? Mas não tem como não falar sobre o que me aconteceu:
Como toda brasileira, estava ansiosa para o IBGE passar em minha casa, pois eu queria fazer parte do censo. Pois bem, a cerca de um mês a recenseadora passou aqui em casa e fez várias perguntas, as quais eu respondi com prazer. No dia seguinte, num sábado, fui à casa de umas amigas e comentei o que havia acontecido. Elas me perguntaram quais as perguntas que eles faziam. Mencionei várias, até que falamos sobre a pergunta da cor que você se declara, no meu caso, negra. Pois foi nessa hora que minha amiga disse: “Negra? Mas você não é negra, você é parda”. Como assim parda?
Depois desse comentário, observei que várias pessoas que conheço, embora negras, se declararam como pardas para o censo.  Foi ai que eu pensei o que é uma pessoa parda?
Quando cheguei em casa  olhei a minha certidão de nascimento, que não fala nada  a respeito de cor, mas a do meu pai fala que ele é pardo. Sim antigamente as certidões declaravam a cor da pessoa. Eu não acho nada demais, o que acho estranho é uma pessoa ser parda. Pardo para mim é um papel, envelope, embalagem de pão, etc. Por que as pessoas têm tanta resistência em assumir que são negras? É ruim ser negro?
Lembrei de um comentário interessante que ouvi uma senhora falar a uma colega minha certa vez: “Não fala assim você não é negra, é morena”. Como se ser negra fosse depreciativo. Como diz outra colega minha: “Morena? Não economiza tinta não. Eu sou negra mesmo.”
Fiquei bastante incomodada com essa situação. Eu sou negra, não acho que deva ficar triste ou constrangida por isso. Eu tenho uma raça. Não sou da cor de papel de pão.

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